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Mudança reduz pela metade área 'superpovoada' em SP

Espaço para adensar construções será de 2,75% por novo texto do Plano Diretor
Levantamento de sindicato da habitação diz que versão anterior previa estímulo para ocupar 6% do território
GIBA BERGAMIM JR.DE SÃO PAULO
O novo texto do Plano Diretor diminui pela metade a área da cidade prevista para ganhar mais construções nos próximos anos, segundo dados do Secovi (sindicato da habitação) com base nos mapas da prefeitura.
A redução foi incluída no texto final do relator, Nabil Bonduki (PT), que fez alterações ao texto apresentado pelo prefeito Fernando Haddad (PT), no ano passado.
Na área em questão estão previstos os chamados eixos de estruturação urbana -grandes corredores com oferta de transportes públicos, onde a gestão Haddad está incentivando o crescimento.
No plano de Haddad, a área onde esses corredores já existem somava 78,9 milhões de m² disponíveis, segundo os cálculos da entidade, o que corresponde a 6% da área da capital paulista.
No novo texto, o espaço diminuiu para 41,7 milhões de m², ou 2,75% de São Paulo -47% a menos.
Já nas áreas onde os corredores ainda serão criados, a queda foi de 53% -de 65 milhões de m² para 30,5 milhões de m². Segundo estimativas do Secovi, geralmente 20% desses totais acabam se convertendo em novos empreendimentos imobiliários.
Bonduki diz que não se trata de diminuição. Segundo ele, parte do adensamento previsto foi retirado porque estaria em áreas que vão receber operações urbanas específicas para a ocupação.
São elas: Arco Tietê (zona norte), Mooca-Vila Carioca (leste), Leopoldina- Jaguaré (oeste) e Jurubatuba (sul). "Não teria sentido a gente se antecipar ao plano urbanístico. Iria queimar a oportunidade de haver um plano adequado", disse Bonduki.
Já o Secovi diz que a mudança é preocupante. "Os eixos são a espinha dorsal do plano para adensar e garantir a mobilidade urbana. Então, como se diminui em 50% as áreas potenciais?", questionou Cláudio Bernardes, presidente da entidade.
Ainda segundo o sindicato, o Plano Diretor alterou a fórmula de cálculo das outorgas onerosas -contrapartida que o empreendedor tem que pagar para construir de acordo com a região.
O Secovi diz que as outorgas estão mais caras em algumas áreas da cidade, encarecendo os valores dos imóveis.
Projeções feitas pela entidade em algumas áreas da cidade apontam aumentos de até 730%. Para Bonduki, atualmente se paga muito pouco pelas outorgas, também porque os valores venais dos imóveis estão defasados.
O plano da gestão Haddad prevê tornar mais caro construir imóveis comerciais no centro expandido da cidade, onde a oferta já é alta. Por outro lado, as contrapartidas serão mais baixas para prédios residenciais na região central.