Imóvel de luxo busca terrenos

 

Por Maria Angélica Oliveira | Para o Valor, de São Paulo
Encontrar um terreno bem localizado, item fundamental para imóveis de alto padrão, é o principal problema das construtoras de São Paulo e do Rio de Janeiro. Faltam boas áreas nos Jardins, em Moema e no Itaim. No Leblon, o metro quadrado já chega a R$ 40 mil, e prédios antigos são comprados e demolidos para dar lugar a projetos luxuosos.
A escassez de áreas pressiona os custos. Por isso, segundo empresários ouvidos pelo Valor, não há perspectiva de redução dos preços dos apartamentos de luxo. Ainda que alguns acreditem em estabilização devido ao ritmo lento da economia, o consenso é que o segmento está longe de uma bolha. "A franja do Central Park, em Nova York, custa US$ 100 mil o m2. Aqui, a franja do Ibirapuera custa US$ 15 mil. O potencial de valorização é muito grande desde que o país cresça", diz o vice-presidente comercial da Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco.
Outro ponto que poderá afetar o segmento é o novo Plano Diretor de São Paulo, que aguarda aprovação. "A mudança tende a favorecer os imóveis compactos porque as regras incentivam produtos menores em volta de eixos de transporte público. Isso vai inibir que áreas propícias a imóveis de alto padrão tenham novos empreendimentos e pressionar o preço", diz Luiz Felipe Carvalho, sócio-gestor da Idea!Zarvos.
Para Luigi Gaino, diretor da Lopes Rio de Janeiro, falar em teto de preços é tabu. "Quantos bons apartamentos existem na Vieira Souto? Uns 200. São únicos no mundo. O luxo funciona diferente. Não é só quanto custa o tijolo e o terreno. A maior parte tem a ver com localização, acabamento e assinatura".
Pensando nisso, as empresas se esforçam para oferecer projetos diferentes. Um deles, na Barra da Tijuca, será um "residencial arte". O Font Vieille terá 93 obras nas áreas comuns, algumas assinadas por Di Cavalcanti, Portinari e Rodin. Os apartamentos, de até 400 m2, têm elevador privativo e são vendidos por até R$ 5,6 milhões.
O pay per use agora vai além dos serviços de limpeza. Imóveis da Brooksfield têm serviços como aulas de idiomas e música. Buscando apelo tecnológico, alguns projetos oferecem dispositivos para carregar baterias de bicicletas e carros elétricos.
Se na Zona Sul faltam terrenos amplos, na Barra da Tijuca predomina o condomínio clube. A RJZ Cyrela prepara o lançamento do Riserva Golf Vista Mare Residenziale com apartamentos de 266 a 648 m2. As coberturas de 1.308 m2, avaliadas em R$ 29 milhões, vão situar o morador entre o futuro campo de golfe olímpico, a reserva de Marapendi e a praia. O valor global de vendas estimado é de R$ 1,4 bilhão.
Com foco no alto padrão em São Paulo, a Alfa Realty e a MDL lançarão R$ 400 milhões em projetos em 2014 e, em 2015, R$ 500 milhões. A parceria rendeu dois cases interessantes sobre o apetite do segmento.
Em Moema, o Araguari, com apartamentos de 180 a 350 m2, foi vendido em três meses. As unidades variavam de R$ 2 milhões a R$ 2,5 milhões. No Alto de Pinheiros, perto do parque Villa-Lobos, um condomínio com casas a partir de 400 m2 foi vendido em dois meses. Cada uma saiu por cerca de R$ 4 milhões.
Nos próximos meses, a incorporadora Kallas lançará um prédio com "vista eterna" para o parque da Aclimação. As unidades terão entre 254 a 450 m2, variando de R$ 3 milhões a R$ 5,5 milhões. Um dos diferenciais serão vagas de estacionamento "tamanho G".
Numa das áreas mais disputadas na região do Ibirapuera, a JHSF lançou o Mena Barreto, um prédio de 7 apartamentos com valor médio de R$ 11,5 milhões - 60% já foram vendidos. Perto dali, no Jardim Paulista, a Even lançou o Design Arte com unidades de 407 m2 e preço médio de R$ 5,9 milhões.