Vivo leva fibra a prédios em construção

Por Ivone Santana | De São Paulo

Internet, TV por assinatura e telefonia já se incorporaram de tal maneira na vida da população que passaram a fazer parte da fundação dos novos empreendimentos imobiliários. As construtoras já escolhem seu parceiro de telecomunicações durante a fase de projeto e, quando a obra é concluída, todo o cabeamento já está dentro de cada imóvel, independentemente de qual companhia vai prover o serviço. Chega de quebrar as paredes para passagem de dutos. A infraestrutura de telecomunicações é considerada por essas empresas uma necessidade básica dos condôminos, como os sistemas hidráulico e elétrico, e deve estar pronta para uso imediato nos imóveis.
Nessa linha, a construtora Edalco, do grupo Esser, fechou um acordo com a Telefônica Vivo para que a operadora forneça toda a infraestrutura de fibra óptica a nove edifícios comerciais que serão entregues nos próximos 30 meses na Grande São Paulo. O conjunto de prédios será ocupado por cerca de 2,7 mil empresas. A estimativa da Vivo é que o contrato lhe renda receita de R$ 40 milhões com a prestação de serviços a esse público.
Mais 12 edifícios comerciais e residenciais estão programados para serem lançados este ano na Grande São Paulo. O valor geral de venda (VGV - a soma de tudo que a construtora tem em carteira para o ano) está entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão, disse Alexandre Couso, diretor da Edalco. O executivo calcula que o VGV dos nove edifícios lançados em 2013 é de R$ 800 milhões.
O contrato da operadora com a construtora é de risco. A Vivo faz o investimento e entrega a fibra óptica pronta para usar. Mas a tele não tem exclusividade na prestação do serviço, e sim a preferência. Se o condômino preferir, pode contratar outra operadora.
Mas o fato de já estar tudo pronto para uso facilita a conquista do consumidor, diz Raphael Denadai, diretor de pequena e média empresa da Telefônica Vivo. "O cliente terá redução de custo de infraestrutura e de instalação de telecomunicações, e conseguirá ter o serviço ativado rapidamente", afirmou. "Além disso, podemos fazer ofertas mais agressivas porque consideramos o prédio inteiro."
Há 50 anos no mercado e com mais de 12 mil unidades entregues, é a primeira vez que o grupo Esser faz um acordo desse tipo com uma operadora, disse o diretor da Edalco. A construtora costumava deixar a tubulação "seca", ou seja, preparava o espaço mas deixava sob responsabilidade do condomínio a contratação da empresa que faria o cabeamento. O custo não é acrescido ao imóvel nem aumenta seu valor de venda, segundo Couso. "Mas atrai mais clientes, ajuda a vender mais rápido", disse. "Às vezes o cliente decide a compra por ter internet de alta velocidade para seu negócio. No [segmento] residencial, as pessoas compram filme pela internet, e ter internet rápida faz diferença. Não adianta ter smart TV se não tem infraestrutura."
O diretor da Vivo disse que a tele tem mais de 40 mil clientes em 70 shopping centers e em mil prédios comerciais no Brasil. "A diferença no contrato com a Esser é que fechamos a parceria antes da construção dos prédios", afirmou. Segundo o executivo, essa linha de negócios tem crescido 15% ao ano na empresa e, em 2014, "será ainda melhor".
Esse tipo de parceria é adotado também pela Net Serviços, do grupo América Móvil, dono também da Claro e Embratel. A Net informou que tem acordos com outras construtoras, que podem ativar centenas de prédios novos mensalmente, apenas na cidade de São Paulo, mas não revelou números. Destacou que não pratica nem incentiva contratos de exclusividade com condomínios ou construtoras, "pois entende que isso acaba prejudicando interesses dos condôminos e limita a opção dos moradores."
A TIM afirmou acreditar que a parceria com incorporadoras é um caminho promissor para expansão do seu serviço de ultra banda larga fixa, além de beneficiar clientes com a rápida entrega do produto após a conclusão dos empreendimentos. "No momento, a empresa está conversando com construtoras para avaliar futuras ações", informou a operadora.
A Oi informou que não pode comentar o assunto, por estar em período de silêncio, mas que está desenvolvendo projetos nessa linha.