Sabgroup cria companhia com fundo canadense

 

Por Chiara Quintão | De São Paulo
A incorporadora Sabgroup e o PSP Investments (fundo de pensão que administra recursos do governo canadense) criaram a Buffalo do Brasil, joint venture para atuar no mercado imobiliário residencial de médio-alto e alto padrão, e em empreendimentos de uso misto no Estado de São Paulo. Cada parte se comprometeu com R$ 100 milhões em 2014. O fundo fará os aportes em dinheiro, enquanto a parcela da Sabgroup será por terrenos e desembolsos.
O valor já comprometido pela joint venture resultará em lançamentos com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 600 milhões estão previstos para este ano. A intenção é que, em dois anos, a Buffalo do Brasil atinja o tamanho de R$ 1 bilhão de lançamentos anuais e que os aportes dos sócios sejam crescentes, segundo o presidente da Sabgroup, Roberto Bisker.
"Geralmente, as empresas procuram um parceiro em busca de recursos, mas nós [fizemos a parceria] para criar um crescimento sustentável a médio e longo prazo", afirma. A joint venture com o fundo suplanta a necessidade de abertura de capital da Sabgroup - incorporadora com 14 anos de atuação - para levantar recursos, segundo Bisker.
Esta é a primeira investida do fundo canadense no mercado imobiliário brasileiro. Das conversas iniciais até o martelo ser batido, as negociações duraram um ano e meio. Para atender às exigências do fundo canadense, a joint venture terá números auditados, código de conduta, sistemas e bancos de dados, "como se fosse uma empresa de capital aberto", segundo Bisker. Questionado sobre os riscos da parceria, ele respondeu que "o risco é o país".
A parceria terá vigor por pelo menos dez anos. Por enquanto, a Buffalo do Brasil tem nove terrenos, sete dos quais pertenciam à Sabgroup e dois comprados recentemente. Do total, oito áreas estão na capital paulista e uma em Santos. A margem bruta mínima esperada depende de cada projeto, conforme Bisker, mas a taxa interna de retorno (TIR) almejada é de 20% a 25%. "Nosso foco é rentabilidade e crescimento estruturado."
A joint venture vai contratar os serviços de incorporação da Sabgroup. A construção dos empreendimentos poderá ser feita pela Sabgroup ou por outras empresas. O acordo com o fundo não exclui a possibilidade de parcerias de projetos com outras incorporadoras. No momento, há conversas, por exemplo, com a Cyrela Brazil Realty.
A Sabgroup tem três projetos desenvolvidos com a Brookfield Incorporações e outros oito que ficaram de fora da joint venture. Não há compromisso de exclusividade entre as partes, mas a tendência é que os demais projetos da Sabgroup ainda não desenvolvidos sejam direcionados para a Buffalo. "Antes, tentávamos comprar terrenos em permuta, mas era muito difícil. Com a parceria com o fundo, a tendência é comprarmos mais em permuta", diz Bisker.
No ano passado, a Sabgroup lançou o VGV de R$ 250 milhões. Havia expectativa de lançar mais, segundo o executivo, mas atrasos na obtenção de licenças fizeram com que alguns projetos fossem postergados.
O executivo disse não estar preocupado com o mercado nos nichos de atuação da empresa.