‘Lá na frente, selo traz benefícios ao usuário final’

Construtora informa ter custo maior com obra sustentável e que cerca de 70% dos projetos recebem certificado
A maioria dos projetos da Odebrecht Realizações Imobiliárias está registrada para obter selo verde. “De 70% a 80% dos nossos empreendimentos em São Paulo são certificados”,afirma o diretor de incorporação da construtora, Saulo Nunes. A Odebrecht, segundo ele, gasta de 4% a 6%a mais para ter a chancela de obra sustentável. “Lá na frente, porém, traz benefício para o usuário final em termos de economia. ”Ele também destaca o ganho de imagem para a empresa, ao colocar no mercado edifícios verdes. Em comparação com imóveis convencionais, o empreendimento Parque da Cidade vai economizar 50% de água e 20% de energia, além de cortar pela metade a geração de lixo,garante Nunes. “As dez edificações do empreendimento serão certificadas.” As torres corporativas, o hotel e o shopping buscarão o selo Leed, enquanto os residenciais serão Aqua. Localizado em terreno de 22 mil m², na zona sul de SãoPaulo, o Parque da Cidade, além da metade carbono zero, terá sofisticado sistema para separação do lixo e, destaca Nunes, “economia anual de R$1,8 milhão no consumo de água”, por meio de descargas a vácuo. “Objetivo maior é fazer ali o produto mais sustentável da América Latina”, almeja. O plano é controlar as Emissões de carbono na construção e, depois da entrega da obra,durante a operação, com o apoio dos usuários, até neutralizar tudo em 2035, prevê o executivo.
Lixo a vácuo. A central de gerenciamento de resíduos, segundo Nunes, vai reduzir em 50% o lixo destinado aos aterros sanitários, ao separar o material em três categorias: orgânico (que virá do shopping e hotel, e vai para compostagem), reciclável (destinado a cooperativas) e o lixo comum. Com pontos de coleta espalhados pelo empreendimento, todo esse material “voará” por dutos a 70 km/h, diz Nunes. O diretor de incorporação da Brookfield, José de Albuquerque, diz que obra sustentável encarece de 5% a 10% o custo da construção. Ele diz que, para o segmento corporativo, é simples “pagar mais e ter retorno do investimento” durante a vida útil do edifício. “No residencial, ainda não”, comenta. “O consumidor ainda está aprendendo. Mas os itens de economia vão aFlorar em breve.” Construído pela Brookfield, o Pátio Malzoni, na Avenida Faria Lima, é um corporativo com selo Leed. “Tem usina termoelétrica, cuja sobra de energia pode ser vendida para clientes externo”, diz Albuquerque. “E economiza 28% de água e 11% de luz.” Em Campinas, a Brookfield finaliza obras do residencial Horizon Premium, com certificação Aqua nas fases ante projeto e projeto. De 14 critérios, obteve grau de excelência em cinco, incluindo gestão de água e resíduos. “Usamos a expertise de projetos corporativos com eficiência energética e replicamos no residencial”, diz Albuquerque, elogiando o selo Aqua. “É a certificação com as características brasileiras. ”Ele diz que o próximos projeto será um corporativo triplo A, na Marginal Pinheiros, com selo Leed. O diretor comercial da Sustentech, Marcos Casado, diz ter 204 projetos para certificação na empresa. Os de maior porte são o Parque da Lagoa, no Rio, e o bairro Quartier, em Pelotas (RS), projeto do urbanista Jaime Lerner. “São de escala maior.” Ele também cita uma obra da Copa do Mundo. “Estamos fazendo a certificação da Arena de Manaus para Leed.” A Sustentech é a segunda consultoria do ranking em número de projetos para os dois principais selos do mercado, declara o diretor comercial, apontando a Inovatech como líder em Aqua. O diretor da Inovatech, Luiz Henrique Ferreira, diz que sua consultoria cresceu 42% na no passado e dobrou o faturamento, mas não revela valores . “Temos 60% do mercado do Aqua.”
Sem tradução. O Aqua certifica mais edificações residenciais, enquanto o Leed vai mais para edifícios corporativos. “O Aqua está adaptado à realidade brasileira, o consumidor entende como é feita a gestão da água, e todo o referencial da certificação tem base nas normas brasileiras”, diz Luiz Henrique. “O Leed adota parâmetros norte-americanos, usando a norma em inglês, que não foi traduzida para o português.”