Exuberância dos imobiliários já passou, sugerem os gestores

 

Por Guilherme Meirelles | Para o Valor, de São Paulo
A retomada do aperto monetário teve o efeito de uma ducha fria na procura por fundos imobiliários. Grande chamariz dos bancos até o primeiro semestre do ano passado, a modalidade é vista hoje com cautela pela maioria das instituições financeiras.
Assustados com a perda de rentabilidade, investidores mais afoitos desfizeram-se de suas partes no mercado secundário, o que gerou uma compressão das cotas em boa parte dos fundos. Segundo o boletim de fevereiro da BM&F Bovespa, o valor de mercado dos 117 fundos listados era de R$ 27,3 bilhões, menor dos últimos 12 meses. Ainda com base em fevereiro, o índice Ifix (composto pelos 66 maiores fundos imobiliários) teve queda de 16,7% nos últimos 12 meses. Já o índice Imob (formado pelas 20 empresas do setor listadas na BM&F Bovespa) desabou - 29,1% no mesmo período.
"O período de exuberância já passou e os preços devem acompanhar a média do INCC (Índice Nacional de Custos da Construção). Há boas oportunidades a longo prazo na área residencial, mas o investidor precisa ter paciência, característica mais encontrada entre os de alta renda", diz Carlos Alberto Pereira Martins, sócio da área imobiliária da corretora Kinea.
Em 2010, a Kinea lançou o fundo Kinea Renda Imobiliária FII, hoje com patrimônio líquido de R$ 2,2 bilhões, 14, 5 mil cotistas, o segundo maior entre os listados. "O fundo gera renda a partir da locação de edifícios comerciais e galpões logísticos e tem permitido rentabilidade líquida de 9%, isenta de Imposto de Renda", afirma. Mas, pela regulamentação dos fundos imobiliários, o ingresso de um novo investidor só pode ser mediante operação de compra e venda de cotas no mercado secundário.
"Hoje é um risco muito alto em razão dos preços absurdos dos imóveis e da volatilidade no valor das cotas", afirma Samy Dana, professor de finanças da FGV. Na mesma linha, Alexandre Gartner, diretor de investimentos do HSBC, não recomenda a compra a seus clientes. "Aqui só distribuímos fundos de terceiros, mas no momento não recomendamos que haja posição nesta modalidade."
Adilson Tanabi, superintendente da Bradesco Corretora, recomenda aos futuros investidores que apostem em fundos sólidos de renda imobiliária, que tenham tempo de contrato definido e renovação automática. "São os que dão rentabilidade garantida. Os fundos de desenvolvimento de projetos estão em baixa."
Entre bancos públicos, o clima é mais otimista. "Não acredito em bolha. Mas é preciso ter visão de longo prazo", diz Carlos Massaru Takahashi, presidente da BBDVTM. Para Flavio Arakaki, diretor executivo de terceiros da CEF, vale a pena correr o risco. "Lançamos fundos de desenvolvimento para hotéis e imóveis comerciais. São produtos com rentabilidade de dois dígitos, mas a longo prazo."